quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças



Título Original: ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND

Eu não me lembrava de quando havia visto o filme. Só sei que já vira. É como se algo apagasse da minha memória. Até, que revirando minhas coisas, encontrei uma coleção de tickets de cinema que guardára, da época em que esses tickets tinham uma qualidade boa para preservasão. Quando me deparei com o ticket deste filme veio-me uma vaga lembrança de que gostei e, só isso. A única coisa que me lembro é que algo ali era muito bom. Mas ficou vago, nos cantos da memória. Algo me dizia que eu deveria ver este filme novamente. Cansado de não encontrar o formato Blu-ray, decidi aceitar o DVD a preço modesto.



Acho que minha história com o filme se confunde com a narrativa do próprio longa. Sempre houve o brilho de uma memória aparentemente apagada dos escombros de minha mente desmemoriada. Dirigido por Michel Gondry com história de Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich), um dos mais aclamados roteiristas da atualidade, “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” mostra Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) como um casal que se amou intensamente por muito tempo antes de cada um decidir apagar o outro de sua memória.

Além da estrutura não linear, que cria diversos momentos de estranheza ao espectador que assiste ao filme pela primeira vez, o roteiro de Kaufman traz diversos elementos que provam seu total envolvimento com a natureza humana e a vontade de amar e viver a vida plenamente. Afinal de contas, vemos Joel como um homem que ama a primeira mulher que lhe dá atenção e Clementine como uma mulher intensa e impetuosa. Os personagens Mary, Stan e Patrick (Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood, respectivamente) como jovens que nada mais desejam que aproveitar a vida, nem que para isso precisem mentir.

Gondry é muito eficiente ao realizar cenas dentro da memória de Joel em que o mundo se desfaz, pessoas se afastam e imagens desaparecem. Há uma incrível cena de uma mesa grande que se torna pequena, em um trabalho que apenas lida com a perspectiva da câmera. Todos os personagens são tridimensionais, interessantes e cheios de nuances. A atenção dada a Mary é interessante para o desenrolar do terceiro ato, embora pareça “colada” na história à primeira vista, ou seja, antes que algo se desenrole.

“Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” é seguramente um dos melhores filmes (senão o melhor) do inconstante Michel Gondry, e apenas reforça a genialidade de Charlie Kaufman como roteirista, que trata de assuntos complexos acerca da mente humana por meio de ideias inusitadas e admiravelmente loucas.



Uma das melhores coisas que fiz foi esquecer-me de quando ou por que assisti a esse filme. Inconsciente, deixei de lado para aproveitar uma segunda chance de vivê-lo com mais maturidade e clareza. Certamente é um dos melhores filmes que já vi e agora retorna ao meu  Top 10 dos filmes que assisti.


“Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos”. (Friedrich Nietzsche)

Nota: 5 Claquetes




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