sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Análise: Mouin Rouge - O Amor em Vermelho

Antes de tudo quero me desculpar pelo tamanho deste 'post' afinal, esta é uma analise do meu filme preferido. 





O amor em Paris do séc. XIX e a boemia.

Welcome To The Moulin Rouge

Primeiro semestre de 2001, um período considerado (em sua essência) fraco por muitos críticos e analistas de cinema em todo mundo. Poucas foram as produções de reais destaques e aquelas que realmente conseguiram prender a atenção do público não foram tão bem sucedidos. Entretanto, este filme espantou o mundo e abriu os olhos do público para o nível que a computação gráfica havia chegado, sendo uma das poucas surpresas de 2001.

Embora não tenha atingido o sucesso total em números (algo como 175 milhões de dólares arrecadados), o filme conseguiu para si uma legião de fãs e críticos que elegeram Moulin Rouge como um dos melhores musicais e romance dos últimos tempos.

Ah! Paris, Sempre Paris...

Paris, França. Um local maravilhoso que sempre vem em nossas cabeças quando cogitamos a palavra “romance”. Há lugar mais maravilhoso no mundo para se viver uma platônica história de amor que a “cidade dos apaixonados” ou “cidade das luzes”?

Moulin Rouge foi filmado na Austrália e produzido pela própria produtora de Lurhmann, a Bazmark Productions, e distribuído pela gigante Twentieth Century Fox. Por mais “mágico” que o filme possa parecer, esqueça os fundos azuis, as interpretações dos atores frente ao nada... Baz optou por filmar todo o filme em um grande estúdio. Mas não pensem que Luhrmann ainda assim não se aproveitou das maravilhas tecnológicas e da computação gráfica para fazer Moulin Rouge. Baz, com o sutil toque da computação, aperfeiçoou ainda mais a bela, esplêndida, magnífica e inesquecível direção de arte do filme que, por si só, já era exuberante.

Por falar em Paris, vemos aqui uma transformação incrível pelo qual a cidade passou. Somos apresentados à Paris do final do século retrasado (séc. XIX), mais precisamente no ano de 1899. As ruas são escuras, os costumes fortes, e o temperamento e o requinte são clássicos. Em contrapartida a tudo isso, temos um dos pontos que sustentam e dão a base principal para a ideia do filme: A boemia.

Como diria Jim Broadbent em uma de suas falas no filme: “Lá fora pode estar chovendo, mas aqui estamos nos entretendo”. É exatamente a sensação que é passada ao público ao se iniciar a película. Vemos as ruas de Paris, uma visão geral da cidade no final do século XIX, e logo começam as especulações sobre a famosa “casa de espetáculos” na qual ricos, boêmios e diversas pessoas das mais diversas camadas da sociedade tentavam se “divertir”.

There Was A Boy...

O filme inicia-se mostrando-nos a história de Christian, interpretado por Ewan McGregor. Christian é filho de uma família ligeiramente bem sucedida, entretanto, o caminho que ele escolhera para si não era muito bem visto, principalmente pelo por seu pai. O rapaz corre contra todas as vertigens de sua época e resolve ir a Paris desenvolver seu dom de escritor e escrever lindas histórias de amor. Contudo, nosso jovem protagonista nunca havia de fato se apaixonado por alguém e tinha medo de escrever sobre algo que ele não tinha absoluta certeza, afinal de contas, um “mocinho” como Christian poderia ser tudo, menos hipócrita consigo mesmo em um filme como Moulin Rouge. Então nosso jovem herói toma a decisão de ir conhecer o famoso “nightclub” que dá nome ao filme.

Ewan McGregor se mantém fiel ao personagem durante toda duração da película. É aquele tipo de filme e atuação que você bate o olho e pensa: “Acho que ele é perfeito para o papel, não imaginaria outro em seu lugar”. E quando você tem esse tipo de sentimento em relação ao ator, muitas vezes você está errado, mais o mérito é todo dele. Ewan consegue de todas as formas capitalizar todos os pontos positivos de Christian e executa o personagem com maestria fantástica.

Uma grande surpresa foi a voz do ator. Claro, todos nós sabemos que uma beldade como Nicole Kidman não precisa nem abrir a boca para ser elogiada, entretanto e, sinceramente fiquei muito surpreendido com o resultado final. A primeira frase que ele diz ao cantar sua primeira música no filme é fantásticais: “The hills are alive...with the sound of music…”

Satine, The Sparkling Diamond

Nicole Kidman mesmo afirma que Moulin Rouge fora uma benção em sua vida, tanto para o lado pessoal quanto para o lado profissional. A atriz há tempos não fazia uma boa atuação em um bom filme e sua vida pessoal andava de pernas para o ar. Depois de um longo relacionamento terminado (mais de 10 anos ao lado do também ator Tom Cruise). Se por uma lado Nicole pode ter tido uma reviravolta um sua vida pessoal, essa reviravolta também aconteceu em sua vida profissional, mas para melhor: a atriz conseguiu papéis de destaque e recebeu excelentes críticas e elogios por filmes como Moulin Rouge, Os Outros e As Horas, este ultimo, o qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz.

Nicole faz o papel de Satine, a estrela do clube controlado e gerenciado pelo personagem de Jim Broadbent. Ela sonha em um dia se tornar uma “atriz de verdade” e o administrador do local sonha em transformar seu “nightclub” num verdadeiro palco de espetáculos teatrais para toda Paris e, porque não, toda a França. Mas para isso acontecer, era preciso que alguém de fora com muita grana no bolso financiasse tanto a carreira de atriz da jovem cortesã quanto as transformações que ocorreriam na casa de espetáculos.

Como Ewan McGregor, Nicole Kidman caiu como uma luva em seu papel. Seus gestos, seu temperamento, suas atitudes, seu caráter, sua paixão, enfim, Satine faz de tudo para conseguir o que quer e procura não se apaixonar por seus “clientes”, mesmo que precise deixá-los literalmente “de quatro” por si mesma.

The Duke

Outro personagem muito importante para Moulin Rouge, que ganha vida nas mãos e corpo de Richard Roxburgh, é “O Duque”. Sim somente, “Duque”. O personagem de Richard não tem nome definido. Em parte, isso é bom, porque dá aquele ar sinistro e de vilão a Richard que pode ser notado como “o estraga prazer” desde seus primeiros momentos na película.

O Duque é o tal homem que Satine deveria seduzir para que pudesse financiar tanto sua carreira de atriz quanto a “expansão” do clube noturno. Entretanto, na determinada noite, Satine acaba sem querer seduzindo o jovem Christian, que se vê de súbito boquiaberto pela cortesã. As cenas que se seguem são muito engraçadas e de extremo bom gosto.

A voz de Richard Roxburgh é muito engraçada. Ela é meio “afeminada”, mas cai e encaixa perfeitamente para o papel do ator. Ela deixa as cenas com o Duque ainda mais engraçadas e dá um toque todo especial as tomadas. Infelizmente, Richard Roxburgh apenas canta em uma música do filme, a regravação de “Like A Virgin”.


Os Demais

Se há uma coisa de espetacular em Moulin Rouge que não somente a Direção de Arte e Figurino, essa outra coisa é o “elenco” propriamente dito. Os demais atores não deixam por menos e a qualificação de “coadjuvantes” para os mesmos é até imprópria devido a qualidade de seus trabalhos, a começar por Richard Roxburgh, nosso famoso Duque.

Jim Broadbent faz o papel de Harold Zidler, o gordo e estiloso dono do clube que quer a todo custo expandir seu local de trabalho. Ele apresenta os shows e ao lado da estrela Satine (seu diamante mais precioso) se auto-promove. Zidler está sempre ao lado dela e percebe que, em certo momento, sua estrela parece apaixonada pelo jovem escritor Christian. Então ele começa a fazer de tudo para separar os dois e quebrar esse triângulo amoroso que da corda ao filme: Christian – Satine – Duque.

John Leguizamo, outro ótimo “coadjuvante”, faz o papel de Toulousse Lautrec, o jovem excêntrico que é dono de uma companhia de pequenos escritores e atores boêmios que alista Christian a seu grupo e “arma” a situação de tal forma para que o rapaz possa se encontrar a sós com a estrela Satine. Só a imagem de John já remete-me ótimas risadas. Sua atuação então, é cômica...

Baz Luhrmann

Talvez uma das maiores injustiças do Oscar de 2002 tenha sido deixar o diretor de Moulin Rouge, Baz Luhrmann, de fora da lista dos indicados. Sua visão sobre uma Paris reconstruída a base da boemia e idealizada através do romance entre Christian e Satine é platônica, e está imortalizada na cabeça de muitos críticos e fãs do filme.

O único trabalho de expressão de Luhrmann até então havia sido Romeu + Julieta, uma das regravações mais recentes da mais famosa obra de William Shakeaspere. O filme, interpretado por Leonardo di Caprio (Titanic) e Clair Danes (Mod Squad), trouxe um pouco de luz a carreira desconhecida do até então diretor. Mas, infelizmente, Romeu + Julieta não passou de um filme mediano.

Moulin Rouge, O Espetáculo Audio-Visual

Chegamos a outro ponto forte do filme. Direção de Arte, Elenco e Direção já ficaram para trás. Agora vamos falar especialmente sobre os ritmos que dão vida ao espetáculo: a trilha sonora e o som de Moulin Rouge! A edição de imagens e do próprio som do filme é fantástica, para não dizer perfeita...

Entre a trilha sonora de Moulin Rouge encontram-se grande nomes do circuito musical mundial: Bono Vox (U2), Christina Aguilera, Maya, Pink, Fatboy Slim, David Bowie e Beck são algumas das atrações principais. Mas claro que o “prato principal” fica por conta do espetáculo das vozes de Nicole Kidman e Ewan McGregor.




Com tudo isso, ficava evidente o sucesso da trilha do filme. E o sucesso veio, naturalmente. Os cd’s se esgotaram com certa facilidade gerando grandes lucros para a produtora. Então eles fizeram o que toda produção ávida por dinheiro faria: lançaram o segundo CD da Trilha Sonora de Moulin Rouge. À primeira vista, pode parecer um CD caça-níquel, que deve ser vendido junto no embalo do primeiro CD. As músicas até que são legais, mas em grande parte são versões um pouco diferenciadas das que estavam no primeiro CD. Destacam-se as musicas “The Show Must Go On”, “Meet Me In The Redroom”, “Spetacular Spetacular” e “Like a Virgin”, que conta com a participação de Jim Broadbent e John Leguizamo.


Edição de Som nota 10!

Premiações

Durante a mais importante premiação do circuito mundial, o Oscar, Moulin Rouge se saiu muito bem. Recebeu indicações nas seguintes categorias: Melhor Som, Melhor Filme, Melhor Maquiagem, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Melhor Atriz. Infelizmente o filme não ganhou esses prêmios, mas em compensação levou as estatuetas por Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

Realmente, como já dissemos, é praticamente um crime a não-indicação de Baz Luhrmann ao prêmio de melhor Diretor. Assim, como também lamento a Academia do Oscar não ter premiado a atriz Nicole Kidman por sua excelente atuação.

Finalizando

Moulin Rouge - Amor em Vermelho é um filme mágico, uma obra-prima da sétima arte que deverá estar eternizada na mente de muitos. Um musical que reascendeu o gênero e recriou uma época. Um ambiente perfeito, um diretor talentoso, um elenco fantástico, uma trilha sonora espetacular, coreografias alucinantes e uma história de amor pra lá envolvente.


Fantástico! Só poderia terminar essa análise citando o nome de uma das próprias músicas da trilha sonora do filme:

“Spetacular! Spetacular!



PS. Recomendo extremamente assistir ao filme legendado.

Nota: 5 Claquetes





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