domingo, 23 de novembro de 2014

Crítica: As Vantagens de Ser Invisível

Título original: THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER


"Não podemos escolher de onde viemos, mas podemos escolher para onde vamos"





Stephen Chbosky escreveu em 1999 um livro chamado “As Vantagens de ser Invisível” (The Perks of Being a Wallflower), no qual um menino de 15 anos escreve cartas para uma pessoa anônima afim de contar suas passagens, quase como um jornal. As cartas exploram temas da adolescência, como entrar no colegial, apaixonar-se, encontrar amigos, ter as primeiras experiências sexuais, uso de drogas e homossexualidade. No Brasil, o livro foi publicado pela editora Rocco, mesma editora de Harry Potter, Percy Jackson e Eragon. Com o sucesso do livro e uma perspectiva de voltar a dirigir um filme (já que tinha feito isso apenas em 1995), o autor do romance, Chbosky adaptou o roteiro e começou a rodar o longa. No elenco Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Dylan McDermott, Mae Whitman, Kate Walsh, Johnny Simmons e Paul Rudd, foram os responsáveis a levar vida aos personagens que tinham profundidade e conexões emocionais que o autor/diretor, exigiria deles.


Logan Lerman foi o responsável por viver Charlie, o menino de 15 anos que se constrói ao decorrer do filme e isto, sem dúvida é um dos fatores que fazem o filme ser tão bom! Aliás, gostaria de destacar aqui duas interpretações que são realmente de um brilho muito agradável ao filme, uma delas é justamente de Lerman, ele precisa fazer um menino tímido, acanhado e com muitos conflitos psicológicos, e o ator consegue destacar cada uma das características que o personagem necessita. Logan realmente se sobressai no papel, tem uma maturidade para a atuação e uma veracidade que surpreende. Temos cenas em que o ator está sozinho, e mentalmente perturbado, que temos uma noção exata do tamanho do “buraco” em que esta enfiado, além disso, ele consegue nos levar a sensações que só podemos sentir na adolescência, ou seja, nervosismo com o primeiro amor, o primeiro beijo, a busca por amigos, etc… Logan Lerman é um destes dois atores que se destacam muito no filme. O outro ator é Ezra Miller, que interpreta Patrick, um meio-irmão de Sam (Emma Watson), que é muito autêntico e homossexual.

Ezra já tinha feitos filmes de gênero parecido, como “Confusões em Família” e “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. Ezra é sem dúvida a estrela do filme, com um personagem bastante interesante, ousado e criativo, ele rouba a cena todas as vezes que aparece, tem um toque sensível, maduro e muito profundo. No filme, Patrick e Sam são irmãos que acabam acolhendo Charlie após perceberem que ele é um menino solitário, este acolhimento é um processo rápido e ao mesmo tempo cativante, então o filme consegue expressar de uma forma bem icônica esta adaptação dos adolescentes e como podem melhorar suas relações tendo um pouco de amor ao próximo.

Aliás, “As Vantagens de ser Invisível” é um filme que consegue expor de forma muito delicada as várias faces da juventude. Tem uma história muito bem escrita, e como o autor é o diretor, acredito que a fidelidade para com o Livro, seja um dos fatores que deixam o filme ainda mais bonito.


Em termos técnicos, o filme tem uma ótima direção de fotografia, não é algo esplendoroso, mas é muito forte! Além disso, temos tomadas em planos abertos que são também muito bem dirigidas, como uma cena em que Charlie está voltando de casa após se despedir de Sam e começa a se sentir perturbado com tudo que esta acontecendo com sua vida. Outra cena muito interessante é quando Charlie se droga e começa a ver tudo ao seu redor de forma mais lenta. Trata-se de uma filmagem bem clássica, mas que é muito bonita visualmente.

A decapagem de Charlie caminhando pela neve e lembrando de sua tia é muito bem feita e nos dá a sensação clara de perturbação. Aliás, estas cenas em que Charlie começa a se lembrar da tia e da infância são construídas pouco a pouco no filme, ou seja, com uma hora de filme você tem a ideia de que algo deu errado no passado, mas ainda não sabe ao certo o que aconteceu. É um filme generoso em termos de roteiro. Surpreendente!

Último ponto e não menos importante que acho legal destacar no filme, é a trilha sonora. Sim, é um dos pontos altos do filme, tanto quando os personagens conversam sobre música, como quando as trilhas são inseridas para caracterizar o ambiente. Trilhas que conseguem construir situações, e que dão o tom para cenas memoráveis como a de Sam em pé, passando pelo túnel.

“As Vantagens de ser Invisível” é um filme que me surpreendeu, positivamente. Acreditava que encontraria um filme básico sobre adolescência e que a imersão no filme seria pequena. Porém, é um filme que tem uma construção muito bem definida e direcionada, ele consegue te envolver do primeiro minuto até o seu final. Tem frases memoráveis, como: 
“Escolhemos o amor que achamos que merecemos”, e muitas outras…



Sem dúvida, um filme que vale a pena ser assistido, comprado e indicado!


“Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.”

Nota: 5 Claquetes.





sábado, 22 de novembro de 2014

Crítica: Seven – Os Sete Crimes Capitais


“Wanting people to listen, you can’t just tap them on the shoulder anymore. You have to hit them with a sledgehammer, and then you’ll notice you’ve got their strict attention.” – John Doe.

A perda de valores da sociedade, a degradação do ser humano e o surgimento de um grande cineasta em um dos melhores filmes dos anos 90.

David Mills (Brad Pitt) é um policial jovem que chega a uma nova cidade, com a sua mulher Tracy Mills (Gwyneth Paltrow). No seu trabalho, encontra William Somerset (Morgan Freeman), um policial muito mais experiente e beirando a aposentadoria. Os dois devem trabalhar juntos para caçar um serial killerque é um tanto curioso: ele mata as pessoas seguindo os 7 pecados capitais. E essa é a trama da história.

Mills e Somerset não se entendem logo de cara. E, além disso, eles estão sempre a um passo atrás do assassino, o que deixa a história bem tensa. Percebemos que Mills possui um temperamento completamente explosivo, e Somerset sempre tenta segurar essas explosões, até o último minuto do filme. O psicopata John Doe (Kevin Spacey), querendo dar o seu recado para o mundo através dos 7 assassinatos, deixa claro que a história não é “tão simples” assim. A maior lição ainda está por vir, o que nos deixa na maior expectativa. Temos um pecado em especial que vai chocar a todos, tanto personagens quanto espectadores. Embora reconhecido como serial killer, Doe aparece calmo durante todo o tempo, e Spacey deu ao personagem uma personalidade muito bem característica. Sabemos que o psicopata mostrará algo de maneira gloriosa, e isso ele não deixa a desejar.

E o diretor? Sendo o segundo filme dirigido por David Fincher (“O Clube da Luta”, “Alien 3”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”), é difícil acreditar que ele conseguiu realizar uma obra de arte. Apesar dos assassinatos realizados por Doe, não vemos como todos eles acontecem, mas imaginamos pela narração de Mills e Somerset, e até parece que presenciamos os mesmos. Tanto que eu não percebi que não havia assistido aos assassinatos durante o filme. Eles são extremamente agoniantes, sentimento passado aos espectadores pelos próprios personagens. Tudo é pensado com extremo cuidado, e cada detalhe é importante. O roteiro ficou nas mãos de Andrew Kevin Walker, que, curiosamente, representou o primeiro cadáver mostrado em cena.


A fotografia do longa transmite uma atmosfera densa e escura, adaptando-se ao roteiro. Pitt e Freeman, espetaculares como sempre, cumprem seus respectivos papéis com louvor. A atuação de Paltrow nunca me desceu muito bem, mas como ela é apresentada apenas como um personagem secundário, não me incomodou nem um pouco. O mais importante, que é o sentimento de Mills pela mulher, é validado por Pitt de forma convincente.

Não tenho reclamações. Tudo no filme trabalha em perfeita harmonia, nos conduzindo ao grand finale! É uma verdadeira obra-prima, que um dia estará na minha estante de DVD's

"What sick ridiculous puppets we are
And what gross little stage we dance on
What fun we have dancing and fucking. Not a care in the world. Not knowing that we are nothing
We are not what was intended." 
- John Doe


Nota: 5 Claquetes.







sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Análise: Mouin Rouge - O Amor em Vermelho

Antes de tudo quero me desculpar pelo tamanho deste 'post' afinal, esta é uma analise do meu filme preferido. 





O amor em Paris do séc. XIX e a boemia.

Welcome To The Moulin Rouge

Primeiro semestre de 2001, um período considerado (em sua essência) fraco por muitos críticos e analistas de cinema em todo mundo. Poucas foram as produções de reais destaques e aquelas que realmente conseguiram prender a atenção do público não foram tão bem sucedidos. Entretanto, este filme espantou o mundo e abriu os olhos do público para o nível que a computação gráfica havia chegado, sendo uma das poucas surpresas de 2001.

Embora não tenha atingido o sucesso total em números (algo como 175 milhões de dólares arrecadados), o filme conseguiu para si uma legião de fãs e críticos que elegeram Moulin Rouge como um dos melhores musicais e romance dos últimos tempos.

Ah! Paris, Sempre Paris...

Paris, França. Um local maravilhoso que sempre vem em nossas cabeças quando cogitamos a palavra “romance”. Há lugar mais maravilhoso no mundo para se viver uma platônica história de amor que a “cidade dos apaixonados” ou “cidade das luzes”?

Moulin Rouge foi filmado na Austrália e produzido pela própria produtora de Lurhmann, a Bazmark Productions, e distribuído pela gigante Twentieth Century Fox. Por mais “mágico” que o filme possa parecer, esqueça os fundos azuis, as interpretações dos atores frente ao nada... Baz optou por filmar todo o filme em um grande estúdio. Mas não pensem que Luhrmann ainda assim não se aproveitou das maravilhas tecnológicas e da computação gráfica para fazer Moulin Rouge. Baz, com o sutil toque da computação, aperfeiçoou ainda mais a bela, esplêndida, magnífica e inesquecível direção de arte do filme que, por si só, já era exuberante.

Por falar em Paris, vemos aqui uma transformação incrível pelo qual a cidade passou. Somos apresentados à Paris do final do século retrasado (séc. XIX), mais precisamente no ano de 1899. As ruas são escuras, os costumes fortes, e o temperamento e o requinte são clássicos. Em contrapartida a tudo isso, temos um dos pontos que sustentam e dão a base principal para a ideia do filme: A boemia.

Como diria Jim Broadbent em uma de suas falas no filme: “Lá fora pode estar chovendo, mas aqui estamos nos entretendo”. É exatamente a sensação que é passada ao público ao se iniciar a película. Vemos as ruas de Paris, uma visão geral da cidade no final do século XIX, e logo começam as especulações sobre a famosa “casa de espetáculos” na qual ricos, boêmios e diversas pessoas das mais diversas camadas da sociedade tentavam se “divertir”.

There Was A Boy...

O filme inicia-se mostrando-nos a história de Christian, interpretado por Ewan McGregor. Christian é filho de uma família ligeiramente bem sucedida, entretanto, o caminho que ele escolhera para si não era muito bem visto, principalmente pelo por seu pai. O rapaz corre contra todas as vertigens de sua época e resolve ir a Paris desenvolver seu dom de escritor e escrever lindas histórias de amor. Contudo, nosso jovem protagonista nunca havia de fato se apaixonado por alguém e tinha medo de escrever sobre algo que ele não tinha absoluta certeza, afinal de contas, um “mocinho” como Christian poderia ser tudo, menos hipócrita consigo mesmo em um filme como Moulin Rouge. Então nosso jovem herói toma a decisão de ir conhecer o famoso “nightclub” que dá nome ao filme.

Ewan McGregor se mantém fiel ao personagem durante toda duração da película. É aquele tipo de filme e atuação que você bate o olho e pensa: “Acho que ele é perfeito para o papel, não imaginaria outro em seu lugar”. E quando você tem esse tipo de sentimento em relação ao ator, muitas vezes você está errado, mais o mérito é todo dele. Ewan consegue de todas as formas capitalizar todos os pontos positivos de Christian e executa o personagem com maestria fantástica.

Uma grande surpresa foi a voz do ator. Claro, todos nós sabemos que uma beldade como Nicole Kidman não precisa nem abrir a boca para ser elogiada, entretanto e, sinceramente fiquei muito surpreendido com o resultado final. A primeira frase que ele diz ao cantar sua primeira música no filme é fantásticais: “The hills are alive...with the sound of music…”

Satine, The Sparkling Diamond

Nicole Kidman mesmo afirma que Moulin Rouge fora uma benção em sua vida, tanto para o lado pessoal quanto para o lado profissional. A atriz há tempos não fazia uma boa atuação em um bom filme e sua vida pessoal andava de pernas para o ar. Depois de um longo relacionamento terminado (mais de 10 anos ao lado do também ator Tom Cruise). Se por uma lado Nicole pode ter tido uma reviravolta um sua vida pessoal, essa reviravolta também aconteceu em sua vida profissional, mas para melhor: a atriz conseguiu papéis de destaque e recebeu excelentes críticas e elogios por filmes como Moulin Rouge, Os Outros e As Horas, este ultimo, o qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz.

Nicole faz o papel de Satine, a estrela do clube controlado e gerenciado pelo personagem de Jim Broadbent. Ela sonha em um dia se tornar uma “atriz de verdade” e o administrador do local sonha em transformar seu “nightclub” num verdadeiro palco de espetáculos teatrais para toda Paris e, porque não, toda a França. Mas para isso acontecer, era preciso que alguém de fora com muita grana no bolso financiasse tanto a carreira de atriz da jovem cortesã quanto as transformações que ocorreriam na casa de espetáculos.

Como Ewan McGregor, Nicole Kidman caiu como uma luva em seu papel. Seus gestos, seu temperamento, suas atitudes, seu caráter, sua paixão, enfim, Satine faz de tudo para conseguir o que quer e procura não se apaixonar por seus “clientes”, mesmo que precise deixá-los literalmente “de quatro” por si mesma.

The Duke

Outro personagem muito importante para Moulin Rouge, que ganha vida nas mãos e corpo de Richard Roxburgh, é “O Duque”. Sim somente, “Duque”. O personagem de Richard não tem nome definido. Em parte, isso é bom, porque dá aquele ar sinistro e de vilão a Richard que pode ser notado como “o estraga prazer” desde seus primeiros momentos na película.

O Duque é o tal homem que Satine deveria seduzir para que pudesse financiar tanto sua carreira de atriz quanto a “expansão” do clube noturno. Entretanto, na determinada noite, Satine acaba sem querer seduzindo o jovem Christian, que se vê de súbito boquiaberto pela cortesã. As cenas que se seguem são muito engraçadas e de extremo bom gosto.

A voz de Richard Roxburgh é muito engraçada. Ela é meio “afeminada”, mas cai e encaixa perfeitamente para o papel do ator. Ela deixa as cenas com o Duque ainda mais engraçadas e dá um toque todo especial as tomadas. Infelizmente, Richard Roxburgh apenas canta em uma música do filme, a regravação de “Like A Virgin”.


Os Demais

Se há uma coisa de espetacular em Moulin Rouge que não somente a Direção de Arte e Figurino, essa outra coisa é o “elenco” propriamente dito. Os demais atores não deixam por menos e a qualificação de “coadjuvantes” para os mesmos é até imprópria devido a qualidade de seus trabalhos, a começar por Richard Roxburgh, nosso famoso Duque.

Jim Broadbent faz o papel de Harold Zidler, o gordo e estiloso dono do clube que quer a todo custo expandir seu local de trabalho. Ele apresenta os shows e ao lado da estrela Satine (seu diamante mais precioso) se auto-promove. Zidler está sempre ao lado dela e percebe que, em certo momento, sua estrela parece apaixonada pelo jovem escritor Christian. Então ele começa a fazer de tudo para separar os dois e quebrar esse triângulo amoroso que da corda ao filme: Christian – Satine – Duque.

John Leguizamo, outro ótimo “coadjuvante”, faz o papel de Toulousse Lautrec, o jovem excêntrico que é dono de uma companhia de pequenos escritores e atores boêmios que alista Christian a seu grupo e “arma” a situação de tal forma para que o rapaz possa se encontrar a sós com a estrela Satine. Só a imagem de John já remete-me ótimas risadas. Sua atuação então, é cômica...

Baz Luhrmann

Talvez uma das maiores injustiças do Oscar de 2002 tenha sido deixar o diretor de Moulin Rouge, Baz Luhrmann, de fora da lista dos indicados. Sua visão sobre uma Paris reconstruída a base da boemia e idealizada através do romance entre Christian e Satine é platônica, e está imortalizada na cabeça de muitos críticos e fãs do filme.

O único trabalho de expressão de Luhrmann até então havia sido Romeu + Julieta, uma das regravações mais recentes da mais famosa obra de William Shakeaspere. O filme, interpretado por Leonardo di Caprio (Titanic) e Clair Danes (Mod Squad), trouxe um pouco de luz a carreira desconhecida do até então diretor. Mas, infelizmente, Romeu + Julieta não passou de um filme mediano.

Moulin Rouge, O Espetáculo Audio-Visual

Chegamos a outro ponto forte do filme. Direção de Arte, Elenco e Direção já ficaram para trás. Agora vamos falar especialmente sobre os ritmos que dão vida ao espetáculo: a trilha sonora e o som de Moulin Rouge! A edição de imagens e do próprio som do filme é fantástica, para não dizer perfeita...

Entre a trilha sonora de Moulin Rouge encontram-se grande nomes do circuito musical mundial: Bono Vox (U2), Christina Aguilera, Maya, Pink, Fatboy Slim, David Bowie e Beck são algumas das atrações principais. Mas claro que o “prato principal” fica por conta do espetáculo das vozes de Nicole Kidman e Ewan McGregor.




Com tudo isso, ficava evidente o sucesso da trilha do filme. E o sucesso veio, naturalmente. Os cd’s se esgotaram com certa facilidade gerando grandes lucros para a produtora. Então eles fizeram o que toda produção ávida por dinheiro faria: lançaram o segundo CD da Trilha Sonora de Moulin Rouge. À primeira vista, pode parecer um CD caça-níquel, que deve ser vendido junto no embalo do primeiro CD. As músicas até que são legais, mas em grande parte são versões um pouco diferenciadas das que estavam no primeiro CD. Destacam-se as musicas “The Show Must Go On”, “Meet Me In The Redroom”, “Spetacular Spetacular” e “Like a Virgin”, que conta com a participação de Jim Broadbent e John Leguizamo.


Edição de Som nota 10!

Premiações

Durante a mais importante premiação do circuito mundial, o Oscar, Moulin Rouge se saiu muito bem. Recebeu indicações nas seguintes categorias: Melhor Som, Melhor Filme, Melhor Maquiagem, Melhor Edição, Melhor Fotografia e Melhor Atriz. Infelizmente o filme não ganhou esses prêmios, mas em compensação levou as estatuetas por Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

Realmente, como já dissemos, é praticamente um crime a não-indicação de Baz Luhrmann ao prêmio de melhor Diretor. Assim, como também lamento a Academia do Oscar não ter premiado a atriz Nicole Kidman por sua excelente atuação.

Finalizando

Moulin Rouge - Amor em Vermelho é um filme mágico, uma obra-prima da sétima arte que deverá estar eternizada na mente de muitos. Um musical que reascendeu o gênero e recriou uma época. Um ambiente perfeito, um diretor talentoso, um elenco fantástico, uma trilha sonora espetacular, coreografias alucinantes e uma história de amor pra lá envolvente.


Fantástico! Só poderia terminar essa análise citando o nome de uma das próprias músicas da trilha sonora do filme:

“Spetacular! Spetacular!



PS. Recomendo extremamente assistir ao filme legendado.

Nota: 5 Claquetes





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças



Título Original: ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND

Eu não me lembrava de quando havia visto o filme. Só sei que já vira. É como se algo apagasse da minha memória. Até, que revirando minhas coisas, encontrei uma coleção de tickets de cinema que guardára, da época em que esses tickets tinham uma qualidade boa para preservasão. Quando me deparei com o ticket deste filme veio-me uma vaga lembrança de que gostei e, só isso. A única coisa que me lembro é que algo ali era muito bom. Mas ficou vago, nos cantos da memória. Algo me dizia que eu deveria ver este filme novamente. Cansado de não encontrar o formato Blu-ray, decidi aceitar o DVD a preço modesto.



Acho que minha história com o filme se confunde com a narrativa do próprio longa. Sempre houve o brilho de uma memória aparentemente apagada dos escombros de minha mente desmemoriada. Dirigido por Michel Gondry com história de Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich), um dos mais aclamados roteiristas da atualidade, “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” mostra Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) como um casal que se amou intensamente por muito tempo antes de cada um decidir apagar o outro de sua memória.

Além da estrutura não linear, que cria diversos momentos de estranheza ao espectador que assiste ao filme pela primeira vez, o roteiro de Kaufman traz diversos elementos que provam seu total envolvimento com a natureza humana e a vontade de amar e viver a vida plenamente. Afinal de contas, vemos Joel como um homem que ama a primeira mulher que lhe dá atenção e Clementine como uma mulher intensa e impetuosa. Os personagens Mary, Stan e Patrick (Kirsten Dunst, Mark Ruffalo e Elijah Wood, respectivamente) como jovens que nada mais desejam que aproveitar a vida, nem que para isso precisem mentir.

Gondry é muito eficiente ao realizar cenas dentro da memória de Joel em que o mundo se desfaz, pessoas se afastam e imagens desaparecem. Há uma incrível cena de uma mesa grande que se torna pequena, em um trabalho que apenas lida com a perspectiva da câmera. Todos os personagens são tridimensionais, interessantes e cheios de nuances. A atenção dada a Mary é interessante para o desenrolar do terceiro ato, embora pareça “colada” na história à primeira vista, ou seja, antes que algo se desenrole.

“Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” é seguramente um dos melhores filmes (senão o melhor) do inconstante Michel Gondry, e apenas reforça a genialidade de Charlie Kaufman como roteirista, que trata de assuntos complexos acerca da mente humana por meio de ideias inusitadas e admiravelmente loucas.



Uma das melhores coisas que fiz foi esquecer-me de quando ou por que assisti a esse filme. Inconsciente, deixei de lado para aproveitar uma segunda chance de vivê-lo com mais maturidade e clareza. Certamente é um dos melhores filmes que já vi e agora retorna ao meu  Top 10 dos filmes que assisti.


“Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos”. (Friedrich Nietzsche)

Nota: 5 Claquetes